segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Eduardo: Mira

Mira
Zulmira, mãe querida
Mãe, relembro agora que fui embora, fui para longe
Mas, não esqueci o bem que me ensinastes
Perguntaste: meu filho para onde?
Araguaína. E num abraço me beijastes!
Conduzindo pelo meu último e grande amor.
Essa imensa estrela bem mais nova
Ficastes em silêncio, ao te causar essa dor
Mas, junto a ela fui leal as Boas Novas.
Fostes luz na minha aurora
Ela a iluminação que permaneceu.
Se pudesses ouvir a minha voz agora:
"Mãe tudo de ti nela floresceu"!
Mãe perdoe, por favor, essa infelicidade.
Não lhe pude ser de nenhuma ajuda. Que inutilidade!
Em 4 de outubro, eu faria 40 anos de idade
Queria que meus braços de filho e médico lhe amparasse!
Para outrem direi: essas estrelas têm nomes sim.
Uma e Zulmira que me fez homem assim
Outra e TECA que te foi amiga, irmã e filha enfim.
É a Terezinha que nunca se esquecerá de mim.

Marudá 10 de julho de 2008
Eduardo João Mendes Bezerra

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

MARCONI: PLAUSÍVEL ITINERÁRIO

Sabes que vim

De lá que de tão longe

Deve ser aqui do lado

Hermético, a cadeado

Onde deixei a bula

Que me foi dada

Meu compromisso de trabalho

Onde me foi confiado

Meu rebanho

Acho-me em trinta e seis

Alguns bons motivos pra lembrar

Outros sepultados

Coronel, bacharel, menestrel

Cavalheiro, peão , mula

Águia, cão, carrapato

Talvez inda capaz

Duma careta

De desvirar a mesa

A postas certezas

Que andei a buscar

O horizonte crepúsculo

Onde dormirei

Esse apenas cogito

Segredando com o Pai

No certo de que me ouve

Promessa,

Carne,

Cinza

Carne

Promessa

O sol rebrota

Após a colheita

E quando mais pesa o caminho

E já cursamos muito

Sabes que vim

De lá que de tão longe

Deve ser aqui do lado

Hermético, a cadeado


Marconi Barros

Marconi:ALVORECERÁ


Não importa a febre
Os claros no telhado
O desalinho da tua roupa
Os olhos de sopa fria da amada
A sinceridade do espelho
Vês que o sol ignora tudo
E a manhã virá
Em ouro ou prata
Alvorecerá

Marconi Barros

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Eurlene Arruda: “Palavra”

Estou no texto

No teu verso

Estou na trova

Na tua prosa

Estou na obra

Na poesia do poeta

Estou no lixo

No escrito do jornal.

Estou na missa

No culto dominical

Estou na rua

No muro e no mural

Estou no palácio

No casebre na favela

Estou nas cores

No branco da garça

No azul do céu

No verde das matas

Estou no amarelo

Estou no tribunal

Nas lutas dos oprimidos

Estou nas buscas,

Nas conquistas de ideais

Estou no grito de socorro

Nas juras de amor

EU SOU A PALAVRA.



Eurlene Arruda

Eurlene Arruda: Noturno

Calma a rua

Clara a lua.

Silêncio noturno

Suspiro profundo.

Bocas profanas

Blasfêmias, retovos

Coisas tiranas.

Tudo acontece

Quando anoitece

Multidão agradce

Quando amanhece.

Obrigado, Senhor pela vida!

Eurlene Arruda

O tempo passa

O tempo passa...
As coisas passam...
Por cima das outras
A vida passa...
Não espere, Desfrute-a.
O Homem passa...
O tempo passa...
O mundo passa...
A dor passa...
A lavadeira lava/ E passa.
O homem passa...
Manda e desmanda.
E manda... E comanda
O tempo passa...
As verdades ficam,
Com elas: dúvidas e traições.
O Tempo passa...
Fere corações, acende paixões.
O tempo dá um tempo...
Para quem quer viver.
E passa...
E deixa livre o pensamento.
O jogador passa...
Dando a última cartada.
E passa... E pede para ficar.
Pede para sentir o tempo passar.
O tempo passa...
As pessoas passam...
E eu passo aqui meus momentos
Dando um tempo aos meus sentimentos.


Autor: Claudemir Oliveira dos Santos
Site: http://www.claudemir.pro.br/
E-mail: claudemir41@hotmail.com

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Edson Gallo: O que é conto?

O que é conto?

“QUEM CONTA UM CONTO, AUMENTA UM PONTO”.

Definir o conto, talvez, seja tão difícil quanto responder a questão, o que é Literatura? Para isso, teríamos que recorrer a uma infinidade de teorias e à busca de parâmetros históricos, estilísticos, semântico-estruturais, etecetera ,etecetera... . No entanto, o conto moderno ou, a short-story , como preferem os ingleses, apresenta algumas características peculiares, que seriam; uma narrativa curta, concentrada em um conflito único, já próximo do desfecho, não se prendendo tanto à caracterização de personagens, tempo e espaço.
Muitos autores consagrados, já tentaram, não em vão, definir o conto, ou mesmo enquadrá-lo como um gênero à parte. Mário de Andrade, no conto “Vestida de Preto”, começa assim: “tanto andam agora preocupados em definir o conto que não sei se o que eu vou contar é conto ou não, sei que é verdade.” Já, Machado de Assis, sem dúvida, o nosso maior escritor de todos os tempos, alertava para a dificuldade de se escreverem contos: É gênero difícil, a despeito da sua aparente facilidade.”
O conto, hoje, é muito mais dinâmico do que as amarras ou f(ô)rmas que a Teoria Literária tentou impingir-lhe. Agora, o conto varia de acordo com as perspectivas temáticas frente ao real; daí ouvirmos falar em contos regionalistas, contos policiais, contos psicológicos, contos sociais, contos de costumes, contos realismo-fantástico, contos eróticos, contos religiosos... ou mesmo, contos tocantinenses.
A literatura atual vive sob o estigma da pós-modernidade, cuja batuta regente é a velocidade. Tudo é fast , breve, sintético, conciso. Vivemos regidos por uma angustiante falta de tempo (ou, economia de tempo, como eles querem).Viver cada minuto como se fosse o último. É este carpem die pós-moderno chamado brevidade, que acredito, seja a mais marcante característica do conto, e que tem sido a responsável pela grande aceitação desse gênero junto ao público leitor.
Outra consideração oportuna, seria quanto á qualidade do conto. Que critérios são observados para definirmos se um conto é bom ou ruim? Outra vez a subjetividade entra em campo e, acredito, que um bom começo seria; Conto Bom é aquele que você lê de uma só assentada! Sem interrupção. A brevidade da narrativa, o número de páginas ou laudas, a rigidez de construção, a veracidade ou não do que se conta, nada disso tem importância se o conto não atingir o seu objetivo que é , segundo Poe: “atingir o estado de excitação e exaltação da alma.”
Paradoxalmente, o assunto é muito longo, portanto, faço uso invertido do velho ditado: Quem quiser aumentar o ponto que conte um conto.

Edson Gallo, é escritor , professor e pós-graduado em Literatura Brasileira.