quarta-feira, 4 de março de 2009

ACASO

OLHARES SEM DIREÇÃO
SE CRUZAM.
ÀS VEZES INTERROGAM...
ÀS VEZES DISFARÇAM...
O TEMPO PASSA.
SÓ VOCÊ NÃO PASSA...
PRECISO ACREDITAR NO DESTINO,
CRER NO ACASO.
ENTRE TANTOS ROSTOS,
FICO ANSIOSO...
POIS A QUALQUER MOMENTO,
POSSO ENCONTRAR-TE DE NOVO.

Odalea Rodrigues Assunção Melo

QUADRO NEGRO

Penetrando na vastidão do escuro,
Não se encontrará uma sombra igual a tua.
Tocando um objeto no escuro
Terás de ter uma mão segura e observadora.
Dentro do quadro negro,
Nem a própria pessoa verá a si mesma,
Mas poderá, por alto se sentir.
O quadro negro não é uma pintura,
Não é uma solução para os problemas dos homens.
O quadro negro é uma pequena cadeia,
Onde seu corpo está solto,
E sua mente presa.
Presa, por seu subconsciente,
Desprotegido e inseguro.


Claudemir O.Santos
E-mail: claudemir41@hotmail.com
Blog: http://claudemiros.blogspot.com/
Site: http://www.claudemir.pro.br/

domingo, 1 de março de 2009

SOL MAGNÍFICO

Foto: Pôr-do-sol no rio Tocantins (Ilha dos Botes) - jjLeandro
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Sol mágico

Todo dia o sol
Se esconde
Atrás da linha do horizonte.

Quem decifrou
Por favor me conte

esse enigma
Que ninguém imagina.

Como consegue um corpo
Tão grande se esconder
Atrás de uma linha tão fina.


jjLeandro

MUTAÇÕES

Quando buscam
Identificar-me
Diante do espelho
- sou outro, confesso –
Em vez de prosa
Sou verso.

Mas longe dele
É quando me revelo
Sem necessidade de glosa.
Então nunca sou verso,
Sou prosa.


jjLeandro

AS MULHERES FANTASMAS E O MENDIGO

As mulheres
Que passam por mim
Acariciando-me
Ao sol longo da tarde
Na rua cheia de gente
Não são
De carne e osso:
A sombra são.


jjLeandro

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

BELEZA
Tua nudez assim exposta
Faz-me sereno rebanho
De ovelhas pastando astros
O leite do teu corpo
Faz-me moço tal
Um broto de hortelã
Que gela a madrugada
És a uniflor deste momento
Flor esta
Que são todas as outras em si concentradas

Marconi Barros
INÉRCIA

Entre muros, projetos e hipóteses
Vou destilando este vinho pobre
Das possibilidades que me rodeia.
Ancorado em pleno mar de inércia
Contemplo a inutilidade da ilha
Em que me tornei.
Lá fora o vento iça velas,
Muda rotas, causa tempestades, bonança
E eu aflito, inseguro, elaboro discursos
Sobre possibilidades e esperança.
Sob meus pés,
Um velho marinheiro,
Sem forças, outrora companheiro da
Liberdade e da aventura.
Do convés,
Contempla,
Silenciosamente,
A Boceta de Pandora.

Edson C. Alencar (gallo)